DOIS OUVIDOS E UMA BOCA: uma reflexão sobre os diálogos de hoje em dia

2ears1mouth1 300x180 DOIS OUVIDOS E UMA BOCA: uma reflexão sobre os diálogos de hoje em dia

Não consigo me lembrar da última vez em que, reunida com mais de uma pessoa, um assunto foi conversado até o final. Também não me lembro de ter uma escuta genuína nos últimos tempos fora da minha sessão de psicoterapia. Sim, eu faço parte deste sistema.  Infelizmente estamos em uma frequência e em um ritmo tão acelerado que conversas tendem a virar monólogos, palestras ou uma grande salada de palavras cruas e letras soltas. Ideias incríveis, desabafos sofridos, histórias de vida, experiências passadas em forma de conselho e as pessoas por trás das falas são abafadas, sufocadas o tempo todo. Conversamos em sopa de letrinhas.

Ansiedade para falar ou impaciência para escutar? Acho que as duas coisas. Tem aqueles que falam muito, os que fingem que escutam… acho que é um mal da correria do dia-a-dia que nem percebemos mas que pro nosso bem e pro bem das relações precisamos começar a identificar, aprender a calar e se abrir para escutar. Entretanto, tenho particular curiosidade e preocupação com aquelas pessoas conseguem atropelar qualquer conversa de corredor ou papo sério. Vou nomeá-los aqui como ‘autorreferentes em excesso’. Estes seres são aqueles que têm o dom de desviar sempre a conversa para si. Deste perfil, tenho fugido das rodas de conversa. É uma questão de segundos até a figura lançar: “porque eu… porque comigo”. E a figura sempre tem uma história melhor ou pior pra colocar na roda. Tem que ser o centro das atenções e por algum motivo tem convicção de que o resto tem tempo e está interessado enquanto finge que escuta.

Escutar não e uma atitude passiva, mas um grande exercício. Em desenvolvimento de pessoas e segundo os princípios do Effective Coaching da LORE existem alguns elementos importantes para uma comunicação eficaz: escuta ativa, respeitar o silêncio e a diferença entre diálogo e debate. Reflexões sobre estes conceitos:

ESCUTA ATIVA: escutar é diferente de ouvir. Escutar ativamente é estar inteiro e verdadeiramente disponível quando uma pessoa está falando com você. Não adianta ter uma pessoa falando enquanto você dá uma olhadinha no celular ou acaba de enviar um e-mail. Peça para a pessoa voltar outra ou marque uma reunião para tratar do assunto se não puder prestar atenção. Isso irá preservar o seu vínculo de confiança com a pessoa. Isso vale no trabalho, com amigos, com a família. Fingir que escuta não ajuda em nada.

DIÁLOGO E DEBATE: pense um pouco sobre a diferença entre debate e diálogo. Nas suas conversas, em geral, você debate ou dialoga? Uma boa forma de saber isso é identificar se quando está em uma conversa você está escutando o que a pessoa está dizendo (diálogo) ou está pensando no que você que falar em seguida (debate)? Se enquanto a pessoa fala você está pensando no seu argumento ou no que quer falar assim que ela der uma brecha você está em um debate e não em um diálogo e com certeza não está praticando a escuta ativa. Ou seja, provavelmente a qualidade das suas conversas não está lá das melhores.

SILÊNCIO: respeitar o silêncio. Se uma pessoa estiver quieta ou ficar quieta durante uma conversa não significa que não está acontecendo nada. O silêncio pode ser muito angustiante, principalmente porque não estamos acostumados com ele. Se a pessoa está em silêncio, ela pode estar pensando, refletindo. As pessoas têm processos diferentes. Algumas falam e pensam depois ou precisam falar pra pensar (os extrovertidos, em geral). Outras pensam e depois falam (conhecidos como introvertidos). De qualquer forma, o silêncio é necessário para reflexão, absorção e acomodação de ideias e sentimentos para que assim possam ser conversados de forma coerente. O silêncio também diz muito sobre a intimidade e o vínculo de confiança de uma relação: é preciso muita intimidade pra ter e acolher o silêncio do outro.

Meu avô, um senhor japonês muito simpático e quieto (sim, é possível ser simpático E calado) sempre repetia o ditado: “Você tem dois ouvidos e uma boca.” Sábia colocação que ele repetia e colocava em prática. O cara era de poucas e boas palavras. Observava e ouvia muito, quando falava era certeiro e todos o ouviam. Ele também dizia: “Em boca fechada não entra mosquito.”

Sobre EMPATIA E SIMPATIA: outro mito das relações e das conversas. Pessoas simpáticas se comunicam melhor? Podem interagir mais, mas nem sempre suas conversas têm qualidade. Em geral, pessoas mais caladas são vistas como antipáticas ou. Parece que temos que ser simpáticos o tempo todo. Aquela história da ditadura da felicidade mas isso da papo pra outro post. Pessoas simpáticas sempre têm algo a dizer e em geral são aquelas com o sorriso estampado no rosto. Mas as pessoas simpáticas nem sempre conseguem ser empáticas e de fato colocar-se no lugar da outra pessoa. O muito simpático pode ser ‘autorreferente em excesso’ quando diz o que acha que deve ser dito seguindo o senso comum sem pensar no que aquela pessoa precisa naquele momento. Uma comunicação eficaz não está muito relacionada com o número de dentes que mostramos.

Sobre as conversas de hoje em dia, sendo realista, e o que tenho pensado para minha vida, é que nem todos estão disponíveis para saber seus dramas e alegrias. Eles interessam de fato para poucos. Os que parecem querer conversar ou estabelecer uma conversa, podem querer simplesmente desabafar, despejar seus pensamentos e sentimentos ansiosamente nos ouvidos de alguém. Isso não tem nada a ver com amizade e confiança. Tem a ver com ansiedade!  E nesse ritmo frenético, viva o aumento da venda de remédios contra a ansiedade e o aumento de depressão, síndrome do pânico e outras doenças em pessoas cada vez mais jovens. Na maioria das conversas e diálogos, conte com a simpatia de muitos e a empatia de poucos. Escute mais, afinal, temos dois ouvidos e uma boca. Exercite mais a empatia do que a simpatia, pois acredite: o mundo precisa de mais empáticos do que simpáticos.

Já que as conversas andam bagunçadas hoje em dia, eu criei a minha filosofia: Algumas pessoas têm o meu amor. Algumas pessoas têm o meu tempo. E existem aquelas que têm o meu amor e o meu tempo.

Voltei a escrever porque ainda é uma boa forma de me expressar sem interrupções.  Bjs pra todos!

Avaliação de professor. Ou melhor, facilitador da turma 17.

banner facilitar Avaliação de professor. Ou melhor, facilitador da turma 17.

Em uma sala sem convívio, de pessoas cansadas de um dia pesado de trabalho, torcendo para que o MBA acabe logo e o linkedin possa ser atualizado com o único objetivo do curso, aumentar as oportunidades de trabalho e quem sabe um dia, sentir a segurança de estar preparado para empreender. Aonde sobrava professor e faltava aluno e o whatsapp de bagunça rolando solto para ver se o cansaço de um dia desgastante de trabalho não virava sono em uma aula de discurso unilateral. Esse era pelas palavras dos próprios alunos o cenário real alimentado pela inércia de não saber que é possível transformar o processo de aprendizado em algo profundo, prático e verdadeiro. Direcionado não por professores que assinam capas de livros de teorias que muitas vezes nem saíram do papel, mas facilitadores motivados em trazer significado e energia.

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Ecossistemas de Empreendedorismo, Redes, Descentralização e Groupthinking

 Ecossistemas de Empreendedorismo, Redes, Descentralização e GroupthinkingEstou no momento ápice da construção de um Ecossistema de Empreendedorismo na USP. Após 2 anos interagindo com os players desse ecossistema, pude chegar a interessantes maneiras sobre como fomentar o movimento de criação de um mindset empreendedor em uma universidade. Alguns pontos foram fundamentais para esse momento atual – mudanças estratégicas na maneira de agir que, em conjunto e de maneira integrada, catalisaram todo o processo de desenvolvimento desse ecossistema. E quais foram essas iniciativas?

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Intergeracionalidade Corporativa; entre camisetas e gravatas, a relaçāo entre gerações no ambiente organizacional.

intergeracionalidade 300x225 Intergeracionalidade Corporativa; entre camisetas e gravatas, a relaçāo entre gerações no ambiente organizacional.

Artigo CoCriado por: Aziz Camali, Cybele Ozorio e Guilherme Neves

Era uma vez um CEO de 54 anos que liderava um dos principais grupos alimentícios do Brasil. Ele já estava nessa organização verticalizada a mais de 5 anos, que ca entre nós, pensando nos modelos atuais de avaliação pautados em cumprir metas já era um bom tempo. No começo desse ano ele recebeu a noticia de que infelizmente, por não ter batido as metas determinadas pelo board global, que por acaso veio 2 vezes na história para o Brasil, ele iria perder os benefícios e o cargo no cartão, estava “dispensado” do planejamento do ano.

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Textos CoCriados

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Estamos estreando hoje uma nova modalidade de textos no caixa.
Iniciamos os textos em colaboração. Onde vários colunistas se juntam para fazer um texto à varias mãos sobre múltiplas perspectivas.

Imaginem o que vem ai?

Cultura de Impacto com futurismo e projetos? Ou empreendedorismo com sensibilidade e comportamento e desenvolvimento humano?

A caixa além de esta aberta está se misturando…..seja curioso e abra!

Gerações de opostos, resistentes e/ou complementares.

banner.jpg effected Gerações de opostos, resistentes e/ou complementares.
De um bisavô caixeiro viajante,
que nas terras tupiniquins veio do Líbano a felicidade buscar.
De um avô que pra São Paulo veio estudar,
para depois advogado virar,
e ainda inventar de ser dentista e pioneiro no mercado de implantes dentários
para com o seu filho todo conhecimento e prestigio passar,
que mesmo com o sonho de um dia virar arquiteto, viu da oportunidade de ser sucessor,
um carreira de sucesso e prestigio sendo um vencedor.

Já a quarta geração, minha aqui do narrador,
já que agora é permitido, decidiu ser apenas um feliz sonhador. (mais…)

Ao empreender, como monto um time que ganha o jogo?

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O post de hoje é sobre traços comportamentais de empreendedores!

Diversas vezes vejo discussões do tipo “não basta ficar só pensando, é preciso executar”, “não basta saber executar, é preciso saber vender”, e, na maioria das vezes, diversos pontos estão corretos, mesmo combatendo entre si, então por que não encontrar um meio-termo nisso tudo? Acho que encontrei uma prévia e humilde solução mês passado, ao preparar uma aula (ministro aulas de empreendedorismo) para meus alunos, na qual comecei a pontuar diversos traços comportamentais importantes para um empreendedor. Ao colocar os pontos, fui percebendo alguns padrões que poderiam ser organizados em conjuntos de habilidades, e esses conjuntos poderiam se interligar e gerar um diagrama bastante interessante para o perfil empreendedor, inclusive sintetizando “personas” de empreendedores comumente encontradas no ecossistema dos mesmos. Daí surgiu essa imagem!

Agora, explicando a imagem. São 3 grupos principais:
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SEJA RIDÍCULO, ENCONTRE A SUA VERDADE E ‘AME AOS OUTROS COMO A SI MESMO’

duas narrativas fant sticas1.jpg effected copy1.jpg effected1 SEJA RIDÍCULO, ENCONTRE A SUA VERDADE E AME AOS OUTROS COMO A SI MESMO

Aquele momento em que tudo parece se encaixar.  Aquela sensação plena de estar na hora certa, no lugar certo e com a pessoa certa. Estar exatamente onde e como gostaria de estar. O sentimento de que tudo na sua vida só aconteceu para que o resto pudesse se encaixar exatamente como está. Encontrar a verdade é como se apaixonar, é estar inteiro, é quando não há solo fértil para dúvidas… (mais…)

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